Blog

Por quê as Flores Comestíveis pararam de ser usadas?

by in calêndulas, chá de flores, chá de rosas, chás, deborah gaiotto, Deborah na Fazenda, flores, Flores Comestíveis, flores cristalizadas, flores que podemos comer, floresmaisconhecidas 17/03/2020

As flores já tiveram um uso muito comum dentro da culinária antiga. Tentemos imaginar que antes não tínhamos à mão corantes artificiais, industrializados em gôndolas de mercados. Antes recorríamos à natureza , A Natureza grande sábia da realidade real a ser vivida.

Já há 100 milhões de anos atrás as flores começaram a surgir e a Bíblia já citava o “Dente de Leão” como usado no pão sem fermento da Páscoa. Uma das Flores mais antigas é a Flor do Açafrão, usada tanto como medicinal, como na culinária. Acredita-se que foi na Pérsia o primeiro lugar que se cultivou o Açafrão. Os gregos antigos cultivavam Papoulas, Cravos e Lotus. Os egípcios, lírios e flor de lótus azul.

Os índios já usavam flores há 500 anos atrás. Quando os espanhóis conquistaram o NOVO MUNDO eles chamavam qualquer flor grande e colorida de ROSE. Os astecas amavam flores. Eles amavam cheirar as flores para espantar a fome e também a comiam.  Dentre as flores mais  comuns entre a comunidade destacam-se a Flor de Abóbora, a YUCCA, e a Agave Americana.

Os Incas do Peru comiam Capuchinhas que logo foram para Europa através dos conquistadores espanhóis. Nos Andes usavam a Vinagreira para colocar no mate. Na América central e do Sul as bebidas eram saborizadas com tagetes.

Ainda na Idade Média os Monges cultivavam ervas medicinais e dentre elas haviam flores como as Prímulas, as Calêndulas, a Camomila (muito comum no Egito e Roma). No mesmo Período acreditavam que tomar leite com flores de Cravo aumentava a Potência do Homem.

Em 1393 a classe mais comerciante começou a reconhecer o poder das Flores tanto medicinal e sensorial como culinário. E começaram a fazer como os Monges e plantar também em seus espaços.

Era comum água de rosas, laranjas ,e jasmins para perfumar a comida. A flor do açafrão já era antiga no uso como corante da comida.

Os árabes medievais usavam uma mistura de temperos chamada “atraf-al-teb”, na qual tinham lavandas, cravos e botões de rosas.

Leonardo da Vinci tinha um “Cook Book” com receitas com flores : açafrão, cravos , Flor de Sabugueiro e Flores de erva-doce.

No século XV faziam uma mistura de ervas e saladas com borago, margaridas, prímulas e violetas.  E na época dos Descobrimentos novas flores começaram a surgir na Europa.

Na era Romântica, a era Votoriana, as flores também eram muito usadas em sobremesas e doces. As flores cristalizadas eram extremamente comuns. No “Cook Book” da Rainha Vitória era comum receitas como: Sorvete com água de Rosas, Jasmins e água de laranjeira.

Aí veio a Revolução Industrial que bateu de frente com a inclinação estética Vitoriana e as preparações com flores começam a desaparecer aqui. Por quê? Temos 2 constatações:  Primeiro surgiu o transporte de comida, importantes trocas e avanços na agricultura fizeram a comida se tornar prontamente acessível e viável para um número de pessoas que não tinham acesso à jardins ou mesmo estruturas para produzir sua própria comida. Segundo: as novas tecnologias fizeram com que as comidas pudessem ser congeladas e estocadas, o que foi eliminando a sazonalidade da produção dos jardins. Em todos esses processos de estocagem e transporte de vegetais eles tinham uma forma mais bruta de trabalhar. As flores não eram fáceis de transportar, rotular e inspecionar. O que fez com que um declínio do seu uso começasse a acontecer.

Olhem como a história carrega um histórico com esses temperos hoje tão inusitados.

Por isso digo que aos poucos precisamos ir retomando hábitos interessantes e charmosos de antigamente. Usando os artifícios da natureza à nosso favor. Vamos pensar nas flores como temperos, amor, aroma, cor e muita criatividade dentro da gastronomia atual.

Uma linda Semana para Você

@deborahnafazenda

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *